No Hospital Velho da Misericórdia - que funcionou até 1973 no edifício onde hoje está o Lar Diogo Gonçalves, do Centro de Apoio a Idosos, junto à Igreja do Colégio e era gerido pela Santa Casa – trabalhou, durante anos, como enfermeira, Fátima Martins. “Foi sempre uma profissional dedicada, que gostava do que fazia”, dizem colegas que com ela trabalharam e estão hoje reformados.
Brito da Mana, cirurgião que ali prestou serviço e é um dos poucos médicos vivos dos que pertenceram ao quadro clínico daquela unidade hospitalar, recorda com saudade e respeito o desempenho daquela enfermeira. “ Uma certa altura, porque havia necessidade, dispôs-se a trabalhar no hospital sem dias de descanso. Apenas pediu para que a deixassem ir a casa, uma ou duas horas, para poder tratar da mãe, que passava menos bem” – diz o profissional.


Recorde-se que naquela época, o Hospital da Misericórdia de Portimão vivia com algumas dificuldades, que eram comuns, aliás, aos seus congéneres em todo o país. E as contingências sentidas tinham muitas vezes de superar-se com “a entrega, dedicação e boa vontade dos seus profissionais”.
Ainda de acordo com o testemunho de Brito da Mana, “a enfermeira Fátima andou naquilo dois ou mais meses”. “E manteve sempre a boa disposição e a forma carinhosa e profissional de tratar os doentes”, salienta Brito da Mana.
Saliente-se, no contexto, que além deste médico, estão ainda vivos Pires Cabral, que integrou como cardiologista aquele hospital em 1972 e Albano Tomé, radiologista que, não integrando os chamados médicos residentes, encarregava-se de todos os exames radiológicos do hospital.
Fátima Martins, hoje reformada, conforme se referiu, continua uma mulher altruísta e solidária. Faz voluntariado na Caritas Paroquial e continua a dedicar-se a quem mais precisa. Quando sondada para falar sobre o seu passado no Hospital Velho da Misericórdia, diz apenas que “não quer entrevistas, nem jornais”.
Fátima Martins é uma pessoa humilde e reservada e, na sua maneira de ser, não quer nem reclama elogios. Não obstante o seu direito de reserva, aqui fica, como exemplo, apenas um trecho da sua preenchida vida como profissional de enfermagem. Que dirá bem de uma forma de ‘sacerdócio’ como antigamente se levava a profissão. E seguia, sem dúvida, o espírito social e de solidariedade que norteava e norteia a Santa Casa da Misericórdia de Portimão. T.M.

Legenda da foto
Brito da Mana, à porta da antiga enfermaria Dr. Ernesto Cabrita, médico que no final do século XIX e princípios do XX, prestou ser viço no Hospital Velho. Nessa enfermaria empenhou-se, com o seu trabalho, Fátima Martins